sábado, 23 de abril de 2011

A carta que nunca te escrevi


   É incrível como o tempo passa depressa… parece que ainda ontem estávamos os dois, juntos, num banco de jardim ao pé da minha casa, abraçados e de mãos dadas. Quem diria que já passaram quase três anos que me deixaste? Tu foste o primeiro que me fez sentir feliz, que me fez entender que não era preciso mudar a minha maneira de ser, e já para não falar nos meus defeitos… tu gostavas de tudo em mim. O meu cabelo, o meu riso irritante, o meu mau temperamento, e até os meus passatempos estranhos. Aos teus olhos eu era perfeita de qualquer maneira, até quando te tratava mal. Tu sim, eras perfeito, e eu vi isso logo no primeiro momento que passámos juntos. Nunca me hei-de esquecer do nosso primeiro beijo, na esquina onde se vira para a minha casa… nunca! Foi um momento tão mágico, tão inesquécivel. Finalmente percebi o que era sentir borboletas no estômago, sensação tão estranha mas ao mesmo tempo tão perfeita. Voltei para casa com o maior sorriso do mundo, parecia ter sido desenhado na minha cara, pois não parava de sorrir. Parecia que tinha voltado atrás no tempo e estava a celebrar o meu primeiro aniversário, ou até mesmo o meu primeiro Natal. A minha cara estava iluminada de felicidade, e o meu coração batia como nunca antes tinha batido. Nunca me tinha sentido tão feliz como naquele momento. E quando eu digo “nunca”, é no verdadeiro sentido da palavra, e foi o que realmente senti… e sabes uma coisa? Essa felicidade que senti contigo nunca foi ultrapassada. Nunca mais senti aquilo que senti contigo. Aquele batiemnto cardíaco acelarado, aqueles sorrisos que duravam uma eternidade, aquele estado de extrema felicidade. Nunca mais senti isso com alguém…
  Agora a pergunta é: porque é que me deixaste sozinha? Porquê Bruno? Porque é que decidiste que já não dava mais e foste-te embora de um dia para o outro? Eu juro, se estivesses aqui, perante mim, eu libertaria toda a minha raiva e demonstrar-te-ia sem piedade. Seguidamente, agarrar-te-ia como se não houvesse amanhã e, desta vez, não te deixava ir.
  O dia 12 de Junho de 2008 não me sai da cabeça e, por muito que eu queira, nunca irá sair. Esse dia foi quando descobri o que era sentir um coração partido, um coração quebrado por uma tristeza imensa. Estilhaçou-se em mil pedaços e nunca mais se irá compor. Sabes que a chamada da Sara ainda me assombra? Lembro-me como se a tivesse recebido esta madrugada. Lembro-me da voz enfraquecida da Sara, lembro-me da forma como ele mo disse, o quanto lhe estava a doer a encarar a realidade e o quanto lhe doía eu saber tal coisa. Lembro-me de ela ter começado a chorar e aí eu soube que algo horrivel tinha acontecido… “Não sei como te dizer isto... o Bruno morreu”.
   Nesse preciso momento não foi preciso dizer mais nada, o meu coração tinha-me caído o coração aos pés, e as lágrimas tinham sido accionadas automaticamente. Foi o pior momento da minha vida. Nunca pensei vir a perder-te, nunca! Para mim, a nossa história iria durar para sempre, tal e qual um conto de fadas, sabes? Tu foste a pessoa mais especial da minha vida, e ainda o continuas a ser. Tu proporcionaste-me os melhores momentos da minha vida. Tu fizeste-me sorrir novamente, fizeste-me sentir a felicidades que é suposto sentirmos e até me ensinaste a ter amor-próprio. Tu foste aquele que eu esperei a minha vida inteira para ter, e quando finalmente te tive, desapareceste num ápice. Porquê Bruno, porquê?! Sempre pensei que iriamos ser para sempre, para todo o sempre…
   Outro dia bastante difícil foi o do teu funeral. Ver-te mais uma vez era tudo o que eu desejava, mas não daquela maneira. Nunca pensei que voltar a ver a tua cara me iria trazer tanta infelicidade, tanta tristeza, tanta… saudade. Só me apetecia abraçar-te com todas as minhas forças, agarrar-te e nunca mais te largar. A tua cara estava na mesma, mas o teu corpo estava fragilizado. Estavas tão sereno, tão em paz, arrisco mesmo ao dizer que parecias estar a dormir e que voltarias a acordar como se nada tivesse acontecido. Só me apetecia ir lá acordar-te e dizer que tudo tinha sido apenas um grande pesadelo, que nada daquilo tinha acontecido, e que podias voltar para os meus braços.
   Ainda hoje me pergunto onde foste buscar tamanha coragem para fazer o que fizeste, e o porquê de o teres feito. Imaginas o quanto difícil foi para mim? O que passei? Deixaste-me despedaçada e incapaz de ter mais alguém. Mas eu não estou a escrever esta carta para te arreliar e mandar vir contigo, mas sim para finalmente exprimir tudo aquilo que sinto e senti contigo, independentemento do que fôr, raiva ou amor.
   Guardarei para sempre aquele último beijo, até que nos encontraremos novamente. Eu sei que ainda me visitas enquanto durmo, enquanto eu te visito enquanto sonho e relembro todos os nossos momentos, bons e maus. O sentimento que nutro por ti é inexplicável, e tu fizeste-me crescer enquanto pessoa, e fizeste-me ser quem sou hoje. E, por isso, agradeço-te Bruno Santos.

07/09.02.11

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