domingo, 24 de outubro de 2010

História das Galochas

Com a mania das invenções de crianças, o pequeno Gioseppo sonhara em criar algo seu. Algo único e inovador, dizia ele aos seus bonecos nas tardes chuvosas de Dezembro.
Os meses passavam, e Gioseppo pensava, pensava, pensava... mas não conseguia ter aquela ideia, aquele "PLIM" na sua cabeça. A sua mãe, Annita, chateava-o todos os dias com a mesma história de sempre: "Porque é que tu não és uma criança normal, filho? Porque é que tu não vais brincar lá para fora, sujar-te de lama, em vez de ficares fechado no teu quarto a pensar dia e noite?". Mas tudo o que a sua mãe lhe dizia entrava por um ouvido e saia pelo outro... mal ele sabia que a resposta estava entre-linhas.
    Durante uma tarde de Abril, enquanto a sua mãe fazia o lanche que o seu filho mais gostava, Gioseppo teve a brilhante ideia de deixar de pensar! Sim, finalmente Gioseppo ouvira a sua mãe, e deixara de se martirizar noite e dia por uma ideia que provavelmente nunca iria vir ao de cima. Por isso, ele decidiu ser criança.
    A sua mãe, orgulhosa do seu rebento, deu-lhe uma tigela de pipocas, um saco com os seus brinquedos favoritos e pôs-lo a marchar para o quintal.
    Gioseppo brincava, saltava, comia e brincava mais. A sua mãe observava-o pela janela enquanto lavava a loiça do almoço.
    Mas, enquanto ele apanhava uma pipopa caída da tigela, começou a chover torrencialmente! Gioseppo só se queixava que se estava a meter água dentro dos seus sapatos, e gritava pela sua mãe para lhe abrir a porta. Annita, aflita, correu para a porta e puxou o filho para dentro de casa. Estranhamente, apesar da situação, Gioseppo só gritava: 
"Descobri! Mãe, eu finalmente descobri!"
"Descobriste o quê filho? Pára lá de te mexer para eu te secar." Dizia Annita, imensamente confusa com a situação.
    Mal ela sabia que Gioseppo finalmente tivera a sua ideia, uma ideia vinda de algo bastante banal, mas com uma função fascinante: umas botas de borracha! Umas botas altas, quentes e que não permitissem a entrada de água, o que facilitaria as suas agora recentes brincadeiras na rua. A sua mãe, quando ouviu a ideia de Gioseppo, abraçou-o com tanta força, cheia de orgulho: "Eu não te disse para seres uma criança normal e ires brincar para a rua?" Ele finalmente apercebeu-se que a sua mãe tinha razão no que lhe tinha dito durante estes meses todos.
"Mãe, sabes o que lhe vou chamar?"
"Diz lá filho, tenho a certeza que será um nome bastante bonito." disse Annita com um enorme orgulho no seu pequeno.
"Vou dar o nome de Galocha, tal como a nossa gatinha branca!"

Raquel Lourenço

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